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Fiemg critica manutenção de juros altos

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Jr, considerou errada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que nesta quarta-feira (1º) manteve a taxa básica de juros (Selic) em 10,75%.

Leia abaixo a íntegra do pronunciamento.
 
“Faltou ousadia e sensibilidade ao Banco Central para baixar as taxas de juros num momento em que vários indicadores mostram que a inflação brasileira está em queda e a atividade econômica reage de forma lenta. As autoridades federais perderam a oportunidade de reduzir a Selic. Permanecemos disputando o campeonato mundial de juros altos. Isso prejudica fortemente o lado real da economia, afetando a produção, o consumo, os investimentos e a geração de empregos. Além disso, as taxas elevadas estão prejudicando muito as exportações brasileiras, devido à valorização do real, numa política cambial que reduz a competitividade das nossas empresas e, a médio prazo, pode até ameaçar as contas externas.
 
A inflação dos meses de junho e julho ficou estável, com índices de 0,0% e 0,01% respectivamente. Agosto iniciou com os principais agentes de mercado esperando uma inflação de 0,3%. No último Boletim Focus, do Banco Central, esta expectativa baixou para 0,1%. Ou seja, o próprio mercado sinaliza que a inflação em 2010 está realmente perdendo força. Inclusive, a expectativa de inflação para 2010 caiu 0,3% no último mês, passando de 5,38% para 5,08%, portanto, mais próxima do centro da meta fixada pelo governo federal.
 
Vale ressaltar que os efeitos da última alta de juros ainda estão para surtir efeitos na economia. No front externo, o que vemos é a recuperação lenta da atividade na economia norte-americana e europeia. O crescimento esperado tanto para a economia mundial quanto para a brasileira não está se concretizando. Para o Brasil as expectativas para crescimento do PIB esse ano também começam a sofrer revisões para baixo.
 
Na indústria, após três meses de produção física estagnada, registramos um tímido crescimento de 0,4% em julho sobre o mês anterior. Com este comportamento da produção, observa-se gradual movimento de redução no nível de utilização da capacidade instalada do segmento. Os dados de junho da CNI já mostravam este índice num patamar próximo de 80% e os primeiros indicadores de julho mantém a tendência de queda. Observe-se que se trata da média da produção, muitos setores estão com oferta maior. Portanto, não se pode falar em incapacidade da indústria dar suporte ao crescimento do consumo.
 
“Os empresários querem trabalhar com inflação sob controle e aumento da produção, sem as travas que o Banco Central coloca na atividade econômica com os juros estratosféricos, impedindo o sonho nacional de promover o desenvolvimento efetivo e constante”
 
Olavo Machado Jr
Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais
 

 
 
 
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