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ENTREVISTA
Biotecnologia sem mistério

A biotecnologia está presente no nosso dia a dia mesmo que a gente não perceba. Ela pode ser usada para desenvolver medicamentos, mudas de plantas mais resistentes e até mesmo alimentos. Em entrevista ao Fato Industrial, a bióloga, mestre em engenharia de materiais e coordenadora do Bureau de Biotecnologia e Inovação do IEL, Luciana Compart, explica o que é esta ciência e faz uma breve análise do setor.

Fato Industrial - O que é biotecnologia? 
Luciana Compart - O conceito tradicional de biotecnologia é o uso de organismos vivos ou parte deles (proteínas, enzimas, DNA etc) que resulte em bens ou serviços. De maneira mais prática podemos dizer que é uma tecnologia baseada na biologia. É considerada uma atividade promissora em termos do desenvolvimento de novos conhecimentos aplicados à saúde humana e animal, ao meio ambiente e em processos industriais. A biotecnologia não é uma ciência nova, dado que há aproximadamente 2000 anos a.C. a humanidade já utilizava processos biotecnológicos para desenvolver técnicas de fermentação. Com a evolução do conhecimento humano, novas descobertas foram incorporadas no rol da biotecnologia, estruturando, assim, as bases que lhe dão sustentação.
 
Fato Industrial - Quais áreas são abordadas na biotecnologia?
Luciana Compart - A indústria biotecnológica se refere ao conjunto de segmentos que envolve saúde humana, saúde animal, área industrial e agronegócio. A biotecnologia é provavelmente um dos campos de conhecimento em que se observa a importância crescente da interação entre os universos da ciência, da pesquisa tecnológica e da produção. Aqui em Belo Horizonte, por exemplo, temos empresas que atuam na área de identificação genética de bovinos, produção de kits diagnósticos para identificação de doenças humanas, uso de microrganismos para degradação de óleos e gorduras em efluentes industriais entre outras tantas.
 
Fato Industrial - Como está o mercado para as empresas da área de biotecnologia?
Luciana Compart - A Biotecnologia tem-se mostrado uma das mais prósperas áreas entre os diversos desenvolvimentos tecnológicos, cujos conhecimentos são empregados em vários segmentos e setores da economia, partindo desde os mais tradicionais e amplamente difundidos até aqueles mais recentes, surgidos a partir de avançadas tecnologias. O Brasil apresenta diversas condições favoráveis ao desenvolvimento da biotecnologia, destacando-se a capacitação científica de diversas Entidades de Ensino e Pesquisa (EEPs), a experiência no trabalho em rede de algumas EEPs, a disponibilidade de mão de obra qualificada, a riqueza da biodiversidade do país, a dimensão do mercado consumidor nacional e a diversidade étnica (pool dos genomas) da população.
 
Fato Industrial - O que é o Bureau de Biotecnologia?
Luciana Compart - É chamado de Bureau de Biotecnologia a coordenação dos três Núcleos de Inteligência Competitiva em Biotecnologia (NIC-Biotec). Os NIC’s Biotec operam: na região metropolitana de Belo Horizonte, no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba e o terceiro em Viçosa. O Bureau de Biotecnologia é um projeto do IEL/Fiemg e parceiros, que tem como objetivo atuar junto às empresas de biotecnologia de Minas Gerais visando torná-las mais competitivas nos mercados onde atuam. A principal intenção do Bureau é subsidiar os tomadores de decisão das empresas associadas, pertencentes ao setor de biotecnologia em Minas Gerais, a partir da geração e disseminação do conhecimento, prospecções e análise de tendências.
 
Fato Industrial - Qual o potencial de Minas para o desenvolvimento da biotecnologia?
Luciana Compart - Minas possui três grandes grupos de empresas de base biotecnológica. Uma na Grande Belo Horizonte, onde tem-se grandes instituições tecnológicas como a UFMG, Fundação Ezequiel Dias, o Centro de Pesquisa René Rachou que fizeram com que esta região tenha uma vocação para a área médica. Tendo um grande número de empresas de kit diagnóstico, farmacêuticas e prestadoras de serviços no campo da genética. Outro grupo está situado na região do Triângulo Mineiro com a maioria das empresas biotecnológicas atuando no Agronegócio, principalmente em genética bovina. E o terceiro grupo está em Viçosa, sendo também um reflexo da UFV e da incubadora de empresas Cente/UFV. Estas atuam predominantemente em biotecnologia para o agronegócio e meio ambiente. A qualidade técnica gerada nas universidades do estado é reconhecida em toda a America Latina, além disso, muitos mestres, doutores e pós-doutores em áreas afins da biotecnologia são formados, desta forma o potencial de desenvolvimento da área biotecnológica no estado é promissor.
 
Fato Industrial - No que se refere à saúde animal e agronegócio, o Brasil tem efetiva vocação para se confirmar como o “celeiro do mundo”?
Luciana Compart - No nosso país, o agronegócio sempre foi um dos sustentáculos da economia, não só com a produção de vegetais, como, também, a produção de carnes bovina, suína, de aves, de caprinos, de ovinos e de peixes. Nossos produtos têm grande significado na oferta de alimentos para o mercado interno e para exportação, gerando um considerável volume de empregos, renda e divisas. Isto é resultado da junção dos fatores: tecnologia, grandes extensões de terras e clima favorável. Falta entrar nessa junção de fatores a biodiversidade brasileira. Temos a maior biodiversidade de flora, fauna e microrganismo do planeta, explorá-la com responsabilidade e inteligência poderá gerar não só novos medicamentos, como também novos alimentos. Um exemplo é o açaí extraído da Amazônia.
 
 
 

 
 
 
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