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PARABÓLICA
Indústria mais competitiva e menos burocrática

Se você perguntar a dez empresários o que mais atrapalha a competitividade da indústria nacional, correrá o risco de ter dez respostas diferentes. Desde a defasagem cambial à falta de infraestrutura, passando pela necessidade de uma carga tributária menor e da escassez de crédito barato e de longo prazo. O certo é que muitos fatores contribuem para que os produtos brasileiros, principalmente no exterior, percam para a concorrência. Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, tudo isso é verdade e não é "choradeira" de industrial. Mas há, nesse ranking de entraves, algo que o incomoda ainda mais: a burocracia. "Isso afeta o ambiente de negócios e é preciso que o futuro presidente faça algo no sentido de simplificar as coisas e tornar nossa indústria mais ágil em todos os sentidos", explica Andrade.

Durante um ano, entre 2009 e 2010, a CNI promoveu encontros regionais para discutir a competitividade do setor. O resultado virou um livro com 230 páginas chamado A Indústria e o Brasil, Uma Agenda para Crescer Mais e Melhor. Esse trabalho foi entregue em maio aos presidenciáveis, no primeiro debate público entre eles. Traz um panorama do que mudou no setor e do que precisa ser feito. Fala das carências energéticas aos problemas ambientais. De acordo com Andrade, a necessidade de ampliar a competitividade é tão importante que o assunto será o tema central do 5º Encontro Nacional da Indústria (Enai). O evento ocorrerá pela primeira vez em São Paulo, no início de dezembro, no Hotel Transamérica. "Todos pela Competitividade" é o mote escolhido pela CNI, que ao final dos trabalhos pretende extrair um documento de consenso chamado Carta ao Presidente, a ser entregue no início do próximo mandato com as sugestões para melhorar a indústria no país.

"A burocracia está no topo da minha lista de prioridades", insiste Robson Braga Andrade. Ele cita como exemplos a falta de gestão pública, de treinamento para atualizar o funcionalismo, a ausência de plano de carreira que anime os servidores a trabalharem melhor e de forma mais ágil. "Falta investimento e talvez seja o caso de se recriar o Ministério da Desburocratização. A candidata Dilma fala no Ministério da Pequena e Microempresa, o Serra no Ministério da Segurança, quem sabe possam incluir mais esse entre as propostas”.

O Ministério da Desburocratização foi, na verdade, uma secretaria, entre 1979 e 1986. A idéia era reduzir sobre a economia e a vida das pessoas o peso da estrutura burocrática em vigor. À frente dela duas figuras se destacaram: Hélio Beltrão e Paulo Lustosa. Foi nesse período que se criaram os juizados de pequenas causas e também o estatuto da microempresa. A pasta foi absorvida pelo Ministério da Administração.

O presidente da CNI reconhece a falta de infraestrutura, o câmbio, a concorrência chinesa, considerada predatória, e a elevada carga tributária como graves problemas, mas acredita que num país mais simplificado, com uma área pública mais eficiente, certamente até esses gargalos seriam favorecidos.

Durante o encontro em São Paulo, diz Andrade, outros assuntos que inibem o crescimento industrial serão tratados, como a elevada taxa de juros, falta de créditos de longo prazo, a necessidade de reformas tributária, trabalhista e sindical. Segundo levantamento da CNI, 62,7% dos investimentos industriais são recursos próprios, contra apenas 20,5% oriundos de bancos de fomento como o BNDES e Banco do Nordeste. "Tudo isso estará em discussão. Queremos fazer um evento divisor de águas, que marque, na história da indústria e no seu rumo, pela qualidade das propostas que ao final serão encaminhadas ao futuro ocupante do Palácio do Planalto."Para ter uma idéia, a carga tributária brasileira, na faixa de 36% do PIB, está muito acima da vigente em países como Argentina (29%), China (23%) e Índia (18%).

Para o diretor de Relações Internacionais da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, há outro aspecto que desfavorece o setor em busca da competitividade: a falta de união entre os próprios empresários na defesa da indústria nacional. "Sem dúvida há alguns níveis de conflitos de interesse entre diferentes Estados da Federação, especialmente em questões de natureza tributária relacionadas às atividades de exportação e de importação."Num levantamento da CNI sobre os maiores motivos que inibem o crescimento das exportações, o câmbio lidera, com 82,2% das respostas, seguido de custos portuários e aeroportuários, com 41,5%, e burocracia alfandegária (38,7%).

Fonte: Brasil Econômico
 

 
 
 
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