Olavo Machado Jr.*
Quem mais ganha com a reestruturação acionária da Usiminas? Não tenho dúvidas: ganha a própria empresa, que se fortalece com a entrada de um sócio estratégico de porte global e com forte tradição de sucesso no setor siderúrgico; ganham o Brasil e Minas Gerais, com o revigoramento de uma empresa que será sempre brasileira e mineira, independentemente da origem de seu capital; e ganham os brasileiros e os mineiros, que continuam contando com a parceria de uma empresa vitoriosa do ponto de vista empresarial e reconhecidamente compromissada com os princípios e valores do desenvolvimento sustentável.
Pelos benefícios que gera em nosso País e em Minas Gerais, a Usiminas será sempre, como sempre foi, uma empresa do Brasil e de Minas Gerais, sem jamais ignorar o DNA global que está na sua origem, com a decisiva participação dos japoneses da Nippon Steel que, nos anos 50, atenderam à convocação do sonho do mais globalizado de todos os brasileiros – o presidente Juscelino Kubitschek. Aliás, foi também essa visão universal do presidente JK que trouxe para o Brasil, em 1958, a indústria automobilística que, duas décadas depois, chegaria a Minas com a FIAT, que, todos reconhecem, é a mais brasileira dentre todas as montadoras instaladas no País.
Assim como a Usiminas foi e será sempre fundamental para Minas Gerais e para o Vale do Aço, a Fiat mudou a cara da indústria de Minas a partir dos anos 70. Com o bem sucedido programa de mineirização na montagem dos seus veículos, a Fiat propiciou a expansão e a consolidação da indústria de autopeças em Minas Gerais. Os impactos foram enormes e importantes, sobretudo e principalmente para a economia mineira e para o parque automotivo do estado, hoje um dos principais do País, gerador de riqueza para o Brasil e para Minas e para os milhares de empregados da empresa e suas famílias. São centenas de empresas que só existem em função direta da Fiat.
Na verdade, independentemente da origem de seus capitais, Fiat e Usiminas são protagonistas de uma história bem sucedida e de relevante contribuição para o desenvolvimento do Brasil e de Minas Gerais. Hoje, a Usiminas é líder no mercado brasileiro de aços planos, atua em sinergia histórica com o desenvolvimento da indústria automotiva brasileira, de óleo e gás, construção civil, de máquinas e equipamentos e outros setores. Primeira empresa do País a ser privatizada, viu seu valor de mercado dobrar em 20 anos. Gera 30 mil empregos em sete estados do País e está em vias de concluir um ciclo de investimentos de mais de R$10 bilhões nos últimos cinco anos em modernização e no aumento do valor agregado de seus produtos, cujas vendas para o mercado interno superam 80% do total. A Usiminas é, também, a empresa privada que mais registrou patentes entre os anos de 2005 e 2009, segundo estatísticas divulgadas, em 2010, pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
No Vale do Aço, que será sempre o seu berço, a Usiminas está fechando 2011 com investimentos de R$ 722 milhões - para 2012, a previsão de desembolso é de R$ 853 milhões, o que, mesmo em momento econômico de incertezas, demonstra que a Usiminas, trabalhando com rigorosa financeira, não abdica de seu plano de investimentos na busca pelo aumento de competitividade. Também em 2011, a Usiminas comprou R$ 1,2 bilhão de fornecedores do Vale do Aço. Entre os principais materiais adquiridos estão produtos dos mais diversos setores industriais, de serviços e do comércio. O PIB do Vale do Aço, inexpressivo antes da Usiminas, sobretudo no setor industrial, representa hoje quase 8% do PIB mineiro (853 municípios) e o Valor Agregado da Indústria do Vale do Aço responde por mais de 12% do VAI do estado.
É isso – exatamente isso – o que a Usiminas vai continuar fazendo, independentemente da origem dos capitais de seus acionistas. Neste momento, portanto, o mais importante é que mineiros e brasileiros se unam para cobrar soluções para gargalos que retiram a competitividade da indústria siderúrgica nacional: assimetrias tributárias, altos custos de investimento e produção e falta de condições isonômicas de competição, propiciando a entrada indiscriminada de aço importado de países de economia subsidiada, como a da China, e também de produtos acabados que contém aço, de todos os cantos do mundo e agravando o processo de desindustrialização do nosso País.
Neste cenário, o desafio da competitividade passa, também, por outra premissa estratégica e fundamental: a inserção no mundo globalizado por meio de fusões ou aquisições, mas especialmente pela disposição de formar parcerias e alianças estratégicas dentro de uma geografia geradora de valor. É neste contexto que vemos a recente reestruturação societária da Usiminas, com a entrada do grupo argentino Ternium/Tenaris, de sólida reputação no mercado siderúrgico latino-americano e com ramificações no Brasil, como produtora dos tubos Confab. Em essência, a associação de dois grupos siderúrgicos de classe mundial - Nippon e Ternium/Tenaris – é parte de um processo natural em um mundo de economia globalizada e tem como objetivo maior aumentar a competitividade da Usiminas para que a empresa amplie cada vez mais sua capacidade de gerar riqueza para o Brasil e para Minas Gerais – para os brasileiros e para os mineiros. Este é o compromisso que norteou a criação da Usiminas e que, temos certeza, não vai mudar nunca.
Afinal, nas raízes da história de Minas sempre foi destacada a presença de povos de todos os cantos do mundo, que acabam se tornando tão mineiros quanto nós – foi assim com os japoneses da Nippon Steel, com os italianos da Fiat, com os alemães da Mannesnman, com os franceses da Vallourec. Que sejam muito bem-vindos, portanto, os “hermanos” da Ternium/Tenaris.
*Olavo Machado Jr. é presidente da Fiemg. |