Desde seu surgimento, a fotografia sempre esteve ligada ao impulso do homem de viajar e de conhecer melhor o mundo. Nos anos recinto, com a emergência das técnicas digitais, esta relação tornou-se ainda mais estreita e universal. O mesmo gesto que um dia se prestou a registrar terras distantes e modos de vida desconhecidos converteu-se, hoje, num modo bastante difundido de atestar a experiência pessoal e o prazer turístico da viagem. A presença massiva da fotografia digital teria realizado, de certa forma, o velho sonho de catalogar e colecionar o mundo que incendiou a mente dos primeiros viajantes do planeta. Por outro lado, seria legítimo se perguntar até que ponto a recente generalização do uso das câmeras não teria se dado em prejuízo da própria fotografia. Movido por sua existência episódica e por sua compulsão fotográfica, o turista seria o emblema mesmo desse impasse: se fotografamos tudo, se o mundo se pôs a fotografar por todos os lados, qual o sentido de fazermos mais imagens?
A reposta que as fotos dessa exposição oferece a essa pergunta – como tudo que há nelas, aliás – é simples: porque o mundo muda, e porque mudam com eles as sensibilidades particulares de cada época, de cada povo, de cada país. Mais que qualquer outra forma de arte, a fotografia nos permite interromper por um breve instante esse incessante fluxo do mundo em direção ao futuro para reter algo do nosso próprio tempo, das nossas próprias vivencias.
Agrupadas em torno do tema viagem, as fotografias revelam assim formas e contrastes que desaparecem sob a espessura da vida e que se diluem no rítmo veloz das grandes cidades de todo o mundo. Revelam o caos ou a harmonia de pequenos agrupamentos de pessoas, composições imprevistas que o movimento da vida logo devolverá a sua coerência habitual e massante. Revelam a chegada do novo e a presença do antigo – ora com suavidade, na distância que separa a jovem distraída com sua musica do grupo de mulheres mais velhas, ora com a violência, no pedinte massacrado pela escala desproporcional da cidade. Revelam com continuidade quase natural entre o espaço urbano e a intimidade, a solidão e o prazer.
Creio que meu pai, ao longo dos quarenta anos de fotografia que essa exposição comemora, jamais se preocupou em separar o fazer artístico da vivencia cotidiana da família, dos lugares e das pessoas. Seria inútil, portanto se perguntar se essas fotos apenas registros turísticos ou se tem a pretensão de obras acabadas. Isso nunca importou. As fotos de Ouro Preto eram feitas com a simplicidade de quem sobe uma ladeira ou se refresca num chafariz. Estas, com a alegre despretensão de quem caminha por uma cidade recém descoberta, de quem pede uma informação ou vai ao museu.
Rua Frei Durão, 22 – Centro – Mariana/MG
Entrada Franca - Informações: (31) 3557-1041
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